Sua empresa, o Linux e outros softwares livres.

A história do Linux nas empresas
Quais as aplicações do Linux na empresa?
A quem recorrer quando precisar de suporte técnico?
Onde conseguir o Linux?

A história do Linux nas empresas

Hoje é praticamente impossível encontrar algum usuário de informática que não tenha ouvido falar em Linux. Seu uso em estações de trabalho(desktop) vem crescendo muito mas, ainda assim, sua participação neste segmento é irrisória. Porém, no campo de servidores, sua aceitação foi muito maior e vem crescendo rapidamente. Os motivos de sua aceitação são básicos e sensibilizam qualquer diretor de TI: Custo reduzido, alta estabilidade, e grande disponibilidade de softwares também livres para atendimento imediato as necessidades das empresas.

Não se pode desprezar o seu potencial como servidor de aplicações comerciais embora este segmento dependa da disponibilidade de softwares livres voltados para administração e controle de negócios. Naturalmente, o Linux roda softwares comerciais proprietários mas o fato de ser livre, leva também seus usuários a passar a estender este conceito e passarem a considerar um mundo de novas alternativas tão ou mais valiosas quanto a que dispunham anteriormente.

Esta mudança não é repentina. Viemos de uma época relativamente recente onde somente médias e grandes corporações usavam computadores por meio de hardwares e softwares totalmente proprietários.
O desenvolvimento dos microprocessadores e da arquitetura PC provocou uma revolução no campo da informática com a redução dramática nos custos de aquisição de hardware. Os computadores para aplicações departamentais ficaram ao alcance de qualquer empresa. Restava, porém, mais uma revolução a ser feita: a do software. Os primeiros sistemas operacionais, por exemplo, o MS-DOS da Microsoft, disponíveis para estas máquinas eram bastante limitados e com poucos recursos, se comparados a alguns sistemas operacionais profissionais já existentes. O Unix, muito mais poderoso e confiável, já existia há quase 20 anos mas com altos custos de licenciamento.

Tivemos a criação do MS-Windows que trouxe a interface gráfica mas pouco agregou em termos de qualidade, como evolução do DOS sua capacidade de multitarefa era muito limitada até a versão 95 e não se prestava a ambientes multiusuários. Outro problema do Windows era a estabilidade, problema este que continuou acompanhando-o nas versões subsequentes.
Foi, porém, no início dos anos 90 que surgiu o Linux pelas mãos do filandês Linus Torvalds no momento em que a Internet estave prestes a se expandir e ficar ao alcance do grande público.

A explosão do Linux nesta Internet em expansão trouxe consigo uma outra: a do software livre. Tendo uma legião de programadores por todo o mundo trabalhando no seu projeto, o Linux rapidamente evoluiu e se tornou uma opção Unix a custo zero. Embora a adoção deste novo sistema tenha acontecido primeiro no mundo acadêmico e na computação pessoal, o Linux logo se mostrou um sistema com características existentes em Unix comerciais, como a estabilidade e robustez.

Foi também nesta época que a Microsoft lançou o Windows NT, que se propunha a ser um sistema operacional com característica do Windows voltado para o ambiente corporativo. Embora na época tenha havido um grande alarde, cogitando-se inclusive da morte dos Unixes, a realidade mostrou que ainda havia ainda um longo caminho(até os dias de hoje) para que o NT melhorasse seus atributos de estabilidade e robustez, atributos estes presentes no Unix, nesta época já com mais de 20 anos de existência e uso intenso como servidores em minicomputadores e computadores RISC e também para trabalhos pesados em workstations

Apesar de demonstrar seus atributos de sistema profissional o Linux, assim como toda a comunidade de software livre, continuaram a ser vistos com desconfiança pelo mundo corporativo que não ousava apostar em um sistema que não era de ninguém.

As primeiras aplicações corporativas do Linux aconteceram mesmo na Internet em uma grande quantidade de serviços de rede. E este foi o balão de ensaio que permitiu que ele pudesse ser visto em ação e chamando, aos poucos, a atenção de outras empresas. Neste debut para o mundo corporativo o Linux não estava sozinho, fazia-se acompanhar por vários aplicativos que também se consagraram rapidamente como o servidor web Apache e o servidor de correios Sendmail,por exemplo. Grandes empresas como a IBM, Sun, Nasa, por exemplo, logo se interessaram pelo Linux. A IBM não apenas o incluiu no seu share de negócios como passou a adota-lo em alguns seus supercomputadores em detrimento, inclusive, de seus próprios sistemas operacionais. Grandes corporações como a Caldera, a Red Hat, surgiram com a criação de distribuições Linux que o popularizariam ainda mais.

Junto com o Linux existem outras versões livres de Unix, tal como o FreeBSD, um sistema de alta qualidade e com uma grande quantidade de usuários mas não tão popular quanto o Linux.

O Linux é livre no sentido que se pode usa-lo, inclusive modifica-lo, mas as modificações deverão também serem livres, não se poderá cobrar por elas.Este mesmo de licenciamento aplica-se a maior parte dos aplicativos produzidos pela comunidade de Software Livre e leva a um questionamento natural por qualquer pessoa:
"Como, então, alguém ou uma empresa sobrevive sem cobrar pelo software que produz?". Algumas respostas óbvias são: treinamento, suporte, consultoria, itens cobrados também por quem produz software proprietário. Outras respostas estão ligadas a disputa pela qualidade e melhoria do produto, a notoriedade obtida. Veja aqui um artigo sobre o assunto e, também, este documento da Compiere sobre as vantagens econômicas do software livre.


Quais as aplicações do Linux na empresa?
Resposta: São mostrados abaixo alguns cenários típicos onde ele pode ser utilizado. Veja quais ou combinação deles seriam aplicáveis a sua empresa.

1 - Servidor de Dados e Aplicativos

Considerando-se um ambiente onde haja um conjunto de estações Windows compartilhando local ou remotamente dados, aplicativos e impressoras. É o primeiro passo para introdução do Linux em sua empresa sem causar traumas de mudanças.
Sua empresa passa a contar com um servidor estável substituindo uma ou mais máquinas Windows encarregadas destas funções. Observe que os aplicativos e dados servidos não precisam ser alterados, a mudança contempla apenas o computador a partir de onde eles serão servidos para as estações. É uma solução que evita paralizações decorrentes de travamentos e corrupções de arquivos resultantes de se usarem máquinas servidoras Windows não especializadas em atenderem a um grande número de estações.
Neste primeiro cenário poderá ser percebido que o Linux é bem modesto no consumo de recursos de hardware.Enquanto que num simples Pentium de, por exemplo, 200 MHz de clock de processador e 128 MB de memória RAM, ele já oferece muito serviço para uma rede de mais de 20 estações, outros sistemas mal conseguem se carregar.

2 - Substituição de estações DOS/Windows por estações Linux para execução de aplicativos Xbase/Clipper/Foxbase.

Uma grande vantagem desta abordagem é que se sua empresa pretende migrar as estações para Linux, eliminando o custo de licenças e de upgrades, ela terá o tempo necessário para que esta migração se faça de forma gradativa, também sem traumas. Supondo-se que os seus aplicativos estejam escritos Clipper, ou Foxbase existe a opção de usa-los nas estações Linux usando o recurso Linux de emulação do DOS. Numa hipótese mais favorável em que sua empresa tenha os programas fontes dos aplicativos, eles poderão ser recompilados passando a rodarem nativamente no ambiente Linux usando-se ferramentas livres como o Harbour.

3 - Substituição de servidores Unix.

Se vc já usava algum ambiente Unix e aplicativos escritos em Cobol, por exemplo, eles poderão rodar muito bem em Linux fazendo uso de um recurso chamado, antes iBCS e, agora, ABI. As estações, não importa se sejam Windows ou não, poderão acessar os aplicativos no servidor central linux fazendo emulação de terminal. Se neste ambiente Unix você tem o compilador Cobol, ele poderá ser usado no Linux para desenvolver e manutenção dos programas fontes.

4 - Automação de Escritórios.

Muitos associam automação de escritório ao pacote Office da Microsoft. Pois bem, todos que o usam sabem qual o custo desta utilização e o quanto pesa fazer um upgrade. Talvez muitos não saibam que existe para Windows o pacote de software de código aberto OpenOffice da Sun Microsystems, Inc para automação de escritórios.

O OpenOffice é um pacote completo com processador de texto, planilha, edição de imagens, browser, ferramenta de apresentação, editor html, ajuda inteligente, etc. A redução dos gastos com licenciamento do software de automação pode ser combinada com a redução dos gastos com licenciamento de Windows por que este existe a mesma versão deste pacote para Linux.
Em ambos os casos você preserverá todos os documentos, planilhas, e apresentações existentes, o OpenOffice tem filtros que permite a leitura destes documentos. Se você precisar enviar documentos confeccionados com o OpenOffice para outros computadores que não possuam o OpenOffice você poderá gravar os seus documentos OpenOffice em formatos aceitos pelo Microsoft Office.
A adaptação ao OpenOffice é simples uma vez que as suas ferramentas funcionam e se apresentam de forma parecida com as de outros produtos similares, inclusive as do Microsoft Office as quais as pessoas estão mais acostumadas.
5 -Distribuição do acesso a Internet para a rede local

Uma necessidade atual de qualquer empresa é distribuir o acesso à Internet as suas estações locais. Esta é uma outra função que o Linux desenvolve naturalmente sem necessidade de nenhum outro recurso. Mesmo para criar uma barreira de segurança(firewall), ele já conta com ferramentas bastante poderosas para restringir o tráfego que entra e sai da rede de sua empresa.

Um outro recurso muito comum neste tipo de aplicação é a instalação de um serviço de proxy no Linux. Com ele sua empresa conta com um serviço de redução do tempo médio de acesso a páginas frequentemente visitadas na Internet e também com um recurso adicional de verificar onde suas estações andam navegando e também restringir o tráfego para determinados sites.

Um outro recurso bastante interessante é a reserva de banda por aplicação. Mesmo que sua empresa disponha de um acesso de alta velocidade. ainda assim, tráfegos como voip podem ser prejudicados em momentos em que, por exemplo, o tráfego web esteja alto. É possível, então, garantir uma parcela da banda para uso do tráfego voip, visto que ele não deve sofrer grandes retardos que possam prejudicar a comunicação. A parte não usada desta reserva pode ser usada pelos outros tipos de tráfegos.
6 - Intranets

Intranet é o nome dado a uma rede particular local que utiliza os mesmos protocolos e aplicativos em uma configuração cliente-servidor como na na internet. Pode-se chama-la de uma internet localizada.

O Linux, na maioria de suas distribuições já vem com todos estes aplicativos instalados. O Linux foi desenvolvido na Internet e é natural que estas ferramentas façam parte de seu ambiente natural. Os pacotes que acompanham as distribuições são, em sua maioria, livres o que significa que você; não terá que pagar por eles. Entre eles temos:

Apache Web Server.
É o servidor de páginas web mais utilizado no mundo e através dele você poderá divulgar internamente de forma restrita ou não documentos, manuais, e tudo aquilo que qualquer computador de sua rede deveria ter acesso usando-se qualquer browser, os mesmos que as estações usam para acesso a Internet.
Uma outra capacidade do servidor web é a de fazer uso de CGI's onde os aplicativos são executados no servidor e são acessados através de browsers. Isto significa que podem ser desenvolvidos aplicativos que são executados no servidor usando-se os browsers para se ter acesso a eles.

Sendmail
É, provavelmente, o servidor de correio eletrônico também mais utilizado no mundo. Através dele qualquer estação de sua rede usando qualquer software de correio eletrônico poderá enviar mensagens e arquivos para outra estação de sua rede ou para fora. Associado ao servidor de nomes você poderá fazer uso de outros softwares como o Amavis, para detecção de vírus, e o SpamAssassin para detecção de mensagens não solicitadas(mais aplicável no caso de sua empresa ter um domínio na Internet ao invés de fazer uso de um provedor para envio e rececpção de mensagens de correio eletrônico).

Fetchmail.
Software para recepção de mensagens de correio eletrônico. Usado para recepção de mensagens de caixas postais localizadas em um provedor externo. Em conjunto com o sendmail, o Amavis e o SpamAssassin forma um poderoso conjunto de ferramentas para que os seus usuários não recebam virus e lixo pelo correio eletrônico.

Samba.
É um software que permite que o Linux torne-se integrante de sua rede Microsoft formada pelas maquinas Windows de sua empresa podendo atuar como o Servidor principal de arquivos e aplicações e, também para compartilhar impressoras CD-ROMS e gravadores de CD's e DVD's, dispositivos de backup, etc.

MySql e o Postgres.
Softwares de banco de dados que podem ser usados para aplicativos no servidor Linux e que abrem um potencial imenso para criação de aplicativos para sua empresa ou para utilização de outros softwares já existentes no mercado. Por outro lado, permitem a integração com aplicativos escritos para outras linguagens em outras plataformas como, por exemplo, o Delphi em máquinas Windows.

Estes são apenas alguns dos pacotes que acompanham uma distribuição e que basicamente permite que a empresa implemente em curtíssimo espaço de tempo sua intranet. Centenas de pacotes acompanham a distribuição. Quando surgir a necessidade você verá que na maioria dos casos ela poderá ser satisfeita com algum deles.

Extranets

Suponhamos agora que sua empresa tenha uma ou mais filiais e que você tenha que interliga-las juntamente com a matriz. Temos aqui um outro conceito que se aplica a sua empresa, extranets. Extranet é o ambiente resultante da interligação de intranets usando a Internet como o meio de conexão.

Por questões de segurança deve-se usar para fazer esta interligação um software de VPN. VPN significa Virtual Privative Network(Rede Privativa Virtual). Este software permite que esta conexão se faça de forma segura usando criptografia forte, criando um tunel na internet através do qual suas informações irão trafegar sem que possam ser vistas por alguém que as intercepte.


A conexão entre redes tem um custo muito baixo hoje em dia devido ao aparecimento de novas tecnologias que se competem no mercado como, por exemplo, acessos ADLS oferecidos por companhias telefonicas, acessos cable modem oferecidos por empresas de TV a cabo e também a tecnologia Wireless que permite a interligação de sua empresa até um provedor de acesso usando rádio.
Pode-se facilmente criar uma vpn usando-se Linux com um destes softwares de VPN, por exemplo, o Openvpn, em cada uma das pontas de sua extranet.

Pergunta 2: A quem recorrer quando precisar de suporte técnico?

Resposta: Você irá precisar inicialmente de alguém com formação Linux para implementar aquilo que deseja enquanto promove o desenvolvimento de seus funcionários para a função de suporte de seu ambiente. A capacitação pode ser feita tanto através de treinamentos formais externos ou por treinamentos existentes na Internet.
A rigor, embora muitos possam dizer o contrario, a solução de problemas em Linux é altamente facilitada por se tratar de um sistema aberto. Os arquivos de configuraçao estão em sua maior parte em formato texto.

O Linux é um Unix que se aproximou muito e continua se aproximando ainda mais de usuários leigos. Existem distribuições Linux que se destacam por oferecer uma interface bem mais amigável com o usuário, tais como a Red Hat (incluindo também a brasileira Conectiva Red Hat), a Suse, a Mandrake. A instalação é feita de forma quase automática. Existem ferramentas de configuração com interfaces intuitivas que permitem que o usuário faça as manutenções requeridas.

Para aprendizado em geral, soluções de problemas menos corriqueiros, a melhor fonte de informação continua sendo a Internet. Existem inúmeros sites que tratam do assunto além de várias listas de discussão que tratam dos vários temas ligados a Linux.

Se sua empresa não tem pessoal técnico para cuidar de suas máquinas e usa de serviços de terceiros para esta finalidade poderá continuar fazendo uso desta alternativa. Existem diversas empresas e profissionais para prestação de serviços de suporte técnico.

Pergunta 3 - Onde conseguir o Linux?

Resposta: De varias formas:
A primeira, seria baixa-lo totalmente pela internet. Mas não é uma alternativa muito recomendada devido ao tempo que será necessário para baixar uma distribuição completa.
A segunda, o Linux vem como brinde em muitas revistas de informatica.
A terceira, você; pode adquirir o CD-ROM a preços muito reduzidos diretamente via Internet.
Nestas três opções citadas você deverá fazer o trabalho de configuração para faze-lo atuar como servidor.
Alternativamente, você; pode comprar CD-ROM de Linux já configurados para atuarem como servidor.
O preço de aquisição é maior. Veja nossa página sobre Linux nos tópicos euml; O que é e quais são as distribuições Linux? ¨ e ¨ Como obter o Linux?¨ para maiores detalhes.

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